Acho, que às vezes, subestimamos o Centro de Porto Alegre. Realmente, é um lugar sujo e insuportável de transitar no verão, mas, sendo obrigada a ir lá no dia de hoje, vi que, se olharmos com outros olhos, ele tem muito a oferecer.
Tive que ir ao Centro, por causa da prova teórica de direção, que fica na José Montaury (antigo fim da linha dos bondes). Foi uma prova rápida, graças à tecnologia – a prova é feita no computador e o resultado sai na hora.
Saindo dali, caminhando em direção ao Mercado Público, resolvi almoçar pelo Centro mesmo. No meio do caminho, o Chalé da Praça XV. Hoje em dia ele é um restaurante, mas já foi bar, lugar abandonado e restaurante-escola. A comida é excelente, o atendimento atencioso e o preço é justo. Tem uma decoração fofa que preserva muitos dos aspectos originais da construção.
No ínicio da faculdade, na cadeira de Introdução ao projeto Arquitetônico I, fomos incubidos da tarefa de pesquisar e fazer levantamento de “bares” notórios da capital. Eu e minha colega ficamos com o Chalé da Praça XV. Na época, o chalé estava abandonado e foi difícil conseguir material e, principalmente, visitar o prédio. Conseguimos uma autoriazação especial com a SMIC e o acompanhemento de um dos funcionários, para garantir a nossa segurança. Lá, tinha apenas um “guardinha” que pouco podia fazer para impedir as invasões dos moradores de rua nos banheiros públicos. Do que conseguimos registrar dos remanescentes originais, pude ver que se conserva grande parte na edificação atualmente.
Mas sabe o que mais me deixa satisfeita? É ver que o patrimônio está sendo utilizado e, por isso, preservado como um equipamento urbano que soma às necessidades da cidade e não é apenas um museu parado no tempo.